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Saúde da Mulher: Corpo que fala, alma que sente.

Saúde da Mulher: Corpo que fala, alma que sente.

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Celebrado no dia 28 de maio, o Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher, é uma data para a conscientização da sociedade sobre os direitos sexuais e reprodutivos, o cuidado integral e a luta contra o adoecimento e a mortalidade materna.

Gostaria de convidar a todos a ter um olhar para além dos exames, diagnósticos e estatísticas. Acredito que falar sobre saúde da mulher também é falar sobre escuta, acolhimento, dignidade, espiritualidade e pertencimento.

Em todos os textos da Coluna Mulher, tento sempre colocar o quanto por muito tempo, e ainda atualmente, a dor feminina foi e é silenciada. Sintomas minimizados, emoções chamadas de exagero, cansaços que foram romantizados. A mulher aprendeu a continuar mesmo ferida física, emocional e espiritualmente, e com isso aprendeu a cuidar de todos antes de cuidar de si.

Na área da saúde compreendemos que saúde não é apenas ausência de doença. Saúde é equilíbrio entre corpo físico, mental e social. Posso dizer que na Umbanda também, com o acréscimo de se levar em consideração o lado espiritual, entendendo então que saúde seria o alinhamento entre tudo aquilo que sentimos, pensamos e vivemos.

O nosso corpo fala e quando nossa alma não encontra espaço para respirar, o nosso corpo irá gritar.

Na dimensão espiritual, falar sobre a saúde da mulher é reconhecer a conexão sagrada entre corpo, ventre, emoções e ancestralidade. Muitas mulheres carregam silenciosamente medos, violências, culpas, sobrecargas e dores emocionais que atravessam gerações, e que acabam se refletindo no corpo físico e no adoecimento e quando falamos sobre direitos sexuais e reprodutivos, cuidado integral e combate à mortalidade materna, falamos também sobre dignidade, acolhimento e respeito ao corpo. Sentimentos reprimidos, dores não elaboradas, silêncios prolongados, sobrecargas emocionais e feridas antigas acabam encontrando formas de se manifestar no corpo físico, não como castigo ou punição, mas como um pedido de cuidado, pausa e escuta interior.

Nossos guias nos ensinam que cuidar de si é um ato sagrado, que não podemos cuidar do outro, quando nós mesmos estamos necessitando de cura. Aprendemos com eles que energia parada adoece, limita e nos deixa estagnado. Por isso, cuidar da saúde é olhar para dentro, reconhecer limites, acolher emoções e permitir que o coração e o corpo encontrem caminhos de cura e equilíbrio.

A luta pela saúde da mulher é pelo direito ao acesso à informação, ao atendimento humanizado, ao cuidado materno digno, à saúde mental, ao respeito aos ciclos hormonais e emocionais, ao combate à violência física e psicológica e ao entendimento de que nenhuma mulher deve carregar suas dores sozinha. Existe cuidado no ato de marcar uma consulta, existe fé em buscar ajuda psicológica, existe coragem em reconhecer nossos limites e em descansar. Que possamos aprender a ouvir nosso corpo sem culpa, respeitar nossos ciclos e compreender que autocuidado não é egoísmo.

E para fechar, talvez era isso o que me faltava para finalizar este texto, deixo os ensinamentos passados na ultima gira de caboclas, pela Cabocla Jussara:

“Mulheres são como flores. Precisam aprender a se cuidar e a se amar de dentro para fora e depois, de fora para dentro. O florescimento começa dentro. É preciso sentir o próprio perfume, reconhecer a própria beleza, honrar o sagrado feminino que habita em cada ciclo, em cada fase, em cada recomeço. Toda mulher carrega em si um jardim que precisa de cuidado. Sem esse cuidado, aquilo que poderia ser jardim, aos poucos vira mato. Lembrem-se de que se cuidar é um ato de amor, de cura e de reencontro com a própria essência e ancestralidade.”

 

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