Em 30 de maio de 1431, Joana d’Arc foi queimada viva em Rouen, após um julgamento manipulado pelos ingleses que queriam a todo custo acusá-la de heresia e feitiçaria. O alvo era o rei Carlos VII, da França, com quem estavam em guerra e que pretendiam desacreditar e abalar a moral das tropas francesas.
Joana nasceu em 6 de janeiro de 1412, em Domrémy, França. Filha de camponeses pobres, Jaques d’Arc e Isabel. Cresceu piedosa, devota e analfabeta. Assinava com uma cruz.
Aos 13 anos começou a ouvir as vozes do arcanjo Miguel e das santas Catarina de Alexandria e Margarida de Antioquia. Elas anunciaram sua missão: expulsar os ingleses, libertar Orléans e coroar Carlos VII em Reims durante a Guerra dos Cem Anos.
Aos 18 anos convenceu Carlos VII após revelar segredos de Estado que só o rei sabia. Recebeu o comando do exército. Vestida de armadura, levava apenas uma bandeira com a cruz e os nomes de Jesus e Maria. Liderou os franceses à vitória em Orléans, garantindo a coroação do rei em Reims.
Queria voltar à vida no campo, mas o rei ordenou que seguisse para reconquistar Paris. Foi ferida, traída e vendida aos ingleses. Julgada por heresia num processo irregular, foi condenada à fogueira como feiticeira e herética. Morreu queimada aos 19 anos, murmurando os nomes de Jesus e Maria.
Vinte anos depois, o papa Calisto III reabilitou seu nome. Foi canonizada em 1920 por Bento XV e declarada padroeira da França e símbolo de fé e coragem.
Perspectivas Espirituais de Joana d’Arc
Catolicismo: Nascida em uma família católica fervorosa na França medieval, Joana começou a ouvir vozes aos 13 anos. Ela identificou os emissários divinos como o Arcanjo São Miguel, Santa Catarina de Alexandria e Santa Margarida de Antioquia. Eles a instruíram a liderar o exército francês na Guerra dos Cem Anos e a coroar o rei Carlos VII. Foi canonizada pela Igreja Católica em 1920.
Espiritismo: Na doutrina espírita, Joana d’Arc é frequentemente estudada por sua profunda mediunidade de vidência e audição. O famoso escritor e pensador espírita Léon Denis dedicou obras exclusivas à sua trajetória (como “Joana d’Arc Médium”). Em 1861, Kardec publicou uma mensagem do Espírito de Joana D’Arc no Livro dos Médiuns – Nessa mensagem, ela fala direto com os médiuns e pede 3 coisas:
– Trabalhem a mediunidade com responsabilidade.
– Confiem no anjo guardião de vocês.
– Vigiem o orgulho, porque ele é a maior armadilha do médium.
Ela pode falar disso porque, quando estava encarnada, foi uma médium que seguiu exatamente esses conselhos.
Umbanda: Joana d’Arc é a guerreira de fé que enfrenta desafios, associada à energia do orixá feminino Obá: É considerada a orixá das águas doces revoltas, a guerreira, justiceira, guardiã da família e símbolo de coragem. Dentro das 7 linhas de Umbanda, Obá seria o par de Oxóssi no Trono do Conhecimento; E esses dois orixás frequentemente trabalham juntos na mesma linha vibratória. A força de Oxóssi estimula a busca por novas informações e caminhos, enquanto a energia de Obá auxilia na concentração, no amadurecimento das ideias e na manutenção da verdade e do equilíbrio. Obá é uma Orixá que traz arquétipo masculinizado, de força física e sua beleza está justamente na forma como guerreia e combate injustiças.
Joana d’Arc se tornou guerreira em uma época em que não se imaginava haver mulheres em lutas, muito menos trajadas como os homens, e não mediu esforços para cumprir sua missão.
No Terreiro Firmina do Rosário, Joana D’Arc não é cultuada como Orixá, mas traz a energia de guerreira na linha de Ogum e Iansã.
Linha de Ogum: Pela espada, pela liderança, pela luta justa. É cavaleira de Ogum. Chamada quando se precisa de coragem pra cortar demanda e abrir caminho.
Linha de Iansã: Pela conexão com o vento, com a revolução, com o feminino que não abaixa a cabeça. Joana de armadura remete à Iansã vestida de guerreira.
A jornada de Joana Darc.
Jornada de Joana d’Arc nos mostra como o autoconhecimento profundo leva a uma convicção inabalável. De camponesa analfabeta a comandante militar, sua vida demonstra que compreender seu próprio propósito e ter valores firmes permite enfrentar obstáculos intransponíveis.
O legado histórico e espiritual de Joana d’Arc é um marco de liderança e devoção, nos mostrando que o autoconhecimento não é um luxo, mas o fundamento para se ter uma vida significativa, suportar as dificuldades e construir um legado. Sua vida é uma das manifestações mais brilhantes da Providência Divina na história. Fortíssima comunhão existe entre os dois planos da vida visível e invisível.
Joana d’Arc nos ensina que uma vida de missão é feita de três pilares sagrados. Teve a ingenuidade dos puros. Não a ingenuidade tola, mas a santa: aquela que crê antes de ver, que escuta o Céu sem negociar com a lógica do mundo. Foi essa fé sem malícia que abriu nela o portal da mediunidade aos 13 anos. Teve o autoconhecimento dos fortes. Conheceu-se serva, não dona. Instrumento, não autora. Sabia seu nome, sua origem camponesa, sua cruz de analfabeta. E justamente por saber quem era, não se perdeu no orgulho quando vestiu armadura e comandou exércitos. O orgulho é a armadilha do médium, e Joana passou longe dele porque conhecia o tamanho exato da sua alma diante de Deus. E teve a coragem dos livres. Coragem pra dizer sim quando o mundo dizia impossível. Coragem pra vestir trajes de homem e quebrar o medo de uma época. Coragem pra sustentar sua verdade diante da fogueira, murmurando Jesus e Maria enquanto o fogo subia.
Por isso Joana atravessa os séculos como Santa, heroína e guia. Porque lembra a todo médium, a todo guerreiro, a toda alma em busca de propósito de servir com fé.