Terreiro de Umbanda

Firmina do Rosário

    • A MEMÓRIA DO MUNDO

      O Dia do Bibliotecário, celebrado no Brasil em 12 de março, é uma data dedicada aos profissionais responsáveis pela organização, preservação e difusão do conhecimento humano. A escolha da data está associada ao nascimento de Manuel Bastos Tigre (1882–1957), considerado o primeiro bibliotecário concursado do país e uma figura importante na consolidação da biblioteconomia brasileira.

      A data foi oficializada pelo Decreto nº 84.631, de 12 de abril de 1980, reconhecendo a relevância social desses profissionais na democratização do acesso à informação e à cultura. Desde os escribas da Antiguidade até os monges copistas da Idade Média, diferentes figuras assumiram a responsabilidade de preservar saberes essenciais para a evolução da sociedade.

      Desde a Antiguidade, as bibliotecas foram espaços de encontro entre conhecimento e civilização. Instituições emblemáticas, como a Biblioteca de Alexandria, simbolizam o esforço humano de reunir e proteger diversos saberes, como filosofia, ciência, religião, história e arte, tornando-se verdadeiros centros de irradiação intelectual. Nesse contexto, o bibliotecário assume o papel de guardião da memória coletiva, garantindo que o conhecimento não se perca com o tempo.

      Dentro da Umbanda, existe a noção de que o universo possui uma espécie de memória espiritual, onde seriam preservados os conhecimentos acumulados pela humanidade ao longo de sua evolução. Esse conceito é frequentemente chamado de Biblioteca do Grande Oriente. Trata-se de uma representação simbólica de um vasto acervo espiritual, onde estariam registrados os conhecimentos acumulados ao longo da evolução da humanidade: as leis cósmicas que regem a existência, as experiências espirituais dos seres, os ensinamentos transmitidos por grandes mestres e a memória das civilizações que marcaram a trajetória humana.

      O paralelo entre o bibliotecário e a Biblioteca do Grande Oriente nos convida a uma reflexão interessante sobre a natureza do conhecimento. Nas bibliotecas do mundo material, os bibliotecários catalogam livros, preservam documentos históricos e facilitam o acesso ao saber produzido pela humanidade. Sua função é organizar as informações e torná-las acessíveis.

      Na Biblioteca do Grande Oriente, esse mesmo princípio se projeta em uma escala cósmica: o universo conservaria a experiência acumulada das civilizações e dos espíritos, preservando-a como fonte de aprendizado para o progresso espiritual. Assim, enquanto as bibliotecas humanas protegem o patrimônio intelectual da humanidade, a biblioteca do plano espiritual representaria a preservação de sua experiência evolutiva.

      A Umbanda é marcada pelo princípio da caridade e pela busca da elevação moral, valorizando o conhecimento como instrumento de crescimento espiritual. Estudar, compreender a história e refletir sobre a experiência humana são caminhos que ampliam a consciência e fortalecem a caminhada espiritual. Nesse sentido, o Dia do Bibliotecário celebra aqueles que dedicam sua vida a preservar e compartilhar a memória do mundo.

      Se a Biblioteca do Grande Oriente simboliza o grande acervo espiritual da humanidade, os bibliotecários da Terra podem ser vistos, simbolicamente, como seus correspondentes no plano material: guardiões das estantes onde repousa a história humana e mediadores do conhecimento que ilumina o caminho das gerações futuras.

       

       

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