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Dia Internacional da Felicidade
O Dia Internacional da Felicidade, celebrado em 20 de março, foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2012 com o propósito de reconhecer a felicidade e o bem-estar como objetivos universais da humanidade. Nesta edição da coluna, escolhi abordar esse tema a partir de um viés mais íntimo: um relato/observação pessoal.
Há um tempo atrás, ouvido uma música da Maria Bethânia, onde ela inicia falando: “a felicidade se acha em horinhas de descuido” , que é na verdade uma frase célebre de Guimarães Rosa, me fez pensar que a felicidade mora nas coisas que quase ninguém vê.
Toda vez que tenho sentimentos de gratidão por algo que estou vivendo ou por determinada pessoa que entrou na minha vida ou oportunidades novas que surgem, penso no trajeto que percorri até chegar nesse sentimento. Há momentos na vida em que esperamos que certas coisas aconteçam de imediato, mas, por alguma razão, elas não ocorrem como desejado ou do jeito que planejamos. Esse adiamento pode ser frustrante, decepcionante e muitas vezes quando isso acontece ficamos tristes, perdemos a fé e nos questionamos: o que eu fiz para estar passando por isso? Duvidamos.
Na correria do dia a dia, parece que tudo precisa acontecer no momento exato. Mas a vida… não segue o nosso relógio. No entanto, muitas vezes, percebemos que quando finalmente as coisas acontecem, elas chegam melhores do que imaginávamos e há algo mágico na ideia de que algumas coisas simplesmente não se encaixam nesse cronograma apressado, trazendo um encanto especial para essa espera, que poucos compreendem e apreciam.
Perder uma chance que parecia única faz a gente questionar o próprio caminho. Perder alguém… traz um silêncio difícil de suportar. Ver um relacionamento acabar, quando já existia um futuro desenhado… é como se, por um instante, tudo perdesse o sentido. As catástrofes mundiais, doenças virais, pandemias, guerras… acontecem para mostrar que ninguém controla nada e servem para nos ensinar sobre empatia, amor e esperança.
Mas o tempo, esse mestre silencioso vai mostrando que nem tudo que vai embora é perda. E é entre esse tempo de algo que não foi como esperávamos até a próxima chance, que mora a felicidade. No agora! Nos pequenos momentos!
No café em silêncio, no banho demorado depois de um dia difícil, no instante em que a gente respira fundo e continua, no vento leve que toca o rosto quando ninguém está olhando, no riso espontâneo que escapa num momento compartilhado, no barulho da chave girando e saber que quem você ama chegou em casa, no “deu certo” que você não contou pra ninguém… Às vezes, a felicidade é só não se despedaçar naquele dia difícil e perceber que hoje doeu menos que ontem.
E, para quem tem fé, a felicidade mora na existência de algo ainda maior… na certeza de que nada é por acaso, de que existe um caminho sendo guiado, mesmo quando a gente não entende e não percebe.
Fomos ensinados a procurar a felicidade como um grande acontecimento, uma conquista, uma chegada, um momento perfeito. Mas, na vida real ela quase sempre vem miúda, discreta, sem aviso. Vem quando a gente respira fundo e continua, quando sinto que não estou sozinha e que ela não depende do que está acontecendo fora, mas do que me sustenta dentro. Ela mora nesses momentos simples e quase imperceptíveis. Na dualidade de reconhecê-la somente porque já atravessei a tristeza, e entendo que ambas ensinam a mesma coisa: nada fica para sempre, mas tudo deixa algo em nós.
“É preciso estar com as mãos vazias para segurar algo novo”. Usar a fé para acreditar e não para duvidar. Experimentem ver as coisas de uma outra perspectiva, pois quando entendemos que nada dura para sempre, e que felicidade é tudo aquilo que chega exatamente quando a gente precisa, o processo se torna mais leve e recompensador.
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