Terreiro de Umbanda

Firmina do Rosário

Coluna Ubuntu

Dia Nacional de Luta Contra Queimaduras

Dia Nacional de Luta Contra Queimaduras

Ouça enquanto lê...

No dia 06 de junho foi instituído pela Lei nº 12.026/2009 o dia nacional de luta contra queimadura, com a finalidade de divulgar as medidas preventivas necessárias à redução da incidência de acidentes envolvendo queimados.

Queimaduras são feridas traumáticas causadas, na maioria das vezes, por agentes térmicos, químicos, elétricos ou radioativos. Atuam nos tecidos de revestimento do corpo humano, determinando destruição parcial ou total da pele e seus anexos, podendo atingir camadas mais profundas, como tecido celular subcutâneo, músculos, tendões e ossos. São classificadas de acordo com a sua profundidade e tamanho, sendo geralmente mensuradas pelo percentual da superfície corporal acometida. As queimaduras são consideradas uma das condições mais devastadoras no atendimento à saúde, pois, além de afetarem adultos e crianças, costumam causar dor, longos períodos de internação, diversas sequelas para a vítima e, em casos mais graves, até a morte. Atingem pessoas de qualquer faixa etária, mas podem ser evitadas, pois a maior parte dos acidentes, cerca de 77% acontecem em casa e em 40% com crianças de até 10 anos. Cerca de 1 milhão de pessoas são vítimas desse acidente, todos os anos.

Classificação das queimaduras:

1º grau: também chamada de queimadura superficial.

2º grau: atualmente é dividida em 2º grau superficial e 2º grau profundo. De 2º grau superficial é aquela que envolve a epiderme e a porção mais superficial da derme. As queimaduras de 2º grau profundas são aquelas que acometem toda a derme, sendo semelhantes às queimaduras de 3º grau.

3º grau: queimaduras profundas que acometem toda a derme e atinge tecidos subcutâneos, com destruição total de nervos, folículos pilosos, glândulas sudoríparas e capilares sanguíneos, podendo inclusive atingir músculos e estruturas ósseas.

Principais agentes causadores de queimaduras:

líquidos superaquecidos;
combustível;
chama direta;
superfície superaquecida;
eletricidade;
agentes químicos;
agentes radioativos;
radiação solar;
frio;
fogos de artifícios.

Anualmente, a Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ) destaca o mês de junho, como Junho Laranja”, para falar sobre a prevenção a queimaduras. A campanha destaca, neste ano, as queimaduras relacionadas à violência contra a mulher.

Pesquisas demonstram que essas lesões frequentemente estão associadas à violência de gênero e feminicídios, tornando-se um tema crítico e urgente. O Brasil ocupa a 13ª posição mundial em feminicídios, e as queimaduras, infelizmente, fazem parte de muitos casos de agressões cometidas por parceiros.

O tema de 2025 é Marcas no corpo feridas na alma. Nesse sentido, o evento tem por objetivo estimular a conscientização à respeito da violência contra a mulher por queimaduras, além de ressaltar a importância da denúncia nessas situações, promover a sensibilização da comunidade, dos profissionais, estudantes e pesquisadores da área da saúde, visando à promoção de ações que possam atuar na diminuição de sua ocorrência.
Marcas no corpo feridas na alma.

A violência de gênero é um comportamento construído histórica e socialmente em relação ao papel da mulher na sociedade e que ainda se perpetua. São acontecimentos que mostram as relações desiguais existentes entre homens e mulheres e a vulnerabilidade de gênero que pode ocorrer no ambiente familiar e na comunidade e que envolvem agressões psicológicas, sexuais e físicas.

Quando se trata de violência física por queimadura, esta é considerada uma das agressões mais significativas, pois a gravidade das lesões interfere na imagem corporal das mulheres e deixa cicatrizes que remetem à violência sofrida, prejudicando a saúde física e mental dessas vítimas.

Até meados de 1980, as mulheres vítimas de violência eram representadas pela imprensa brasileira como causadoras das agressões que sofriam, principalmente quando se trata de violência doméstica. As mulheres negras eram retratadas pela mídia como um símbolo sexual, inseridas em uma realidade composta por desigualdades sociais e pobreza, o que poderia disfarçar e naturalizar e até mesmo legitimar a violência sofrida.

A caça às bruxas como manifestação histórica e persistente do ódio às mulheres.

Não é exagerado dizer que as mulheres, nos mais diversos locais do mundo e de forma contínua ao longo da história, têm sido alvo preferencial das mais diversas formas de violência que o ódio é capaz de desencadear.

As bruxas foram queimadas para que as mulheres quebrassem o controle que elas exerciam sobre seus corpos, sua sexualidade e sua reprodução, era a forma de escravizá-las à procriação. A queima das bruxas devia ser feita de forma pública, para que outras mulheres fossem testemunhas das consequências de práticas entendidas como “inadequadas” para as mulheres. Queimar mulheres tonou-se uma maneira de manter o controle sobre seus corpos, e não só de uma específica, mas de qualquer uma que questionasse o controle sobre eles.

As bruxas sempre foram mulheres com coragem, agressividade e inteligência, que se atreveram a não se conformar com as imposições do sistema em que viviam. Por sua luta em busca de liberdade muitas morreram queimadas, outras foram abusadas das mais diversas maneiras. Com o passar dos anos, e por mais opressão que o patriarcado impusesse sobre as bruxas que surgiam, elas seguiram lutando. Hoje, as bruxas são a parte de nós que sonha em ser livre.

A pomba gira e o seu papel na umbanda

Pombagiras são espíritos que quando encarnados no sexo feminino, tiveram experiências dos mais variados tipos. O encarne destes espíritos foi de muito sofrimento, principalmente pelo fato de haverem sido mulheres revolucionárias, totalmente a frente do seu tempo. Muitas eram médiuns incompreendidamente tratadas como Bruxas que foram queimadas na época da Inquisição; outras, por não se submeterem a uma vida de tortura e submissão dentro de seus lares, renunciavam a uma vida tida como correta perante a sociedade, para buscar sua liberdade. Encontraram toda sorte de dificuldades que proporcionaram a estes espíritos, ricas, porém, dolorosas experiências, que hoje, relatadas por elas em suas mensagens, são úteis a todos nós.

Quando se manifestam por meio da mediunidade de incorporação, fazem um importante trabalho, primeiramente no médium, de carga e descarga energética, mas, principalmente, no auxílio do esgotamento de vícios e paixões mundanas, estendendo seus ensinamentos aos consulentes também.

São elas que nos levam ao esgotamento de uma situação, nos trazendo o despertar da consciência para um assunto que nos prende e nos impede de seguir nosso caminho, ao passo que também nos faz expor tudo o que guardamos dentro de nossa intimidade psicológica, emocional e espiritual. Elas movem todos os sentimentos que guardamos e que, quando não trabalhados, causam grande atraso em nossa evolução. Tal função compete a um espírito que está em sintonia vibracional mais próxima de nós, pois, para este trabalho, os fluídos requisitados são mais densos, e o trabalho intuitivo mais intenso também.

São grandes conselheiras principalmente das mulheres, mas de mesma valia para os homens. Possuem gestos delicados extremamente femininos, utilizam objetos embelezadores em seus trabalhos, mas engana-se quem pensa que é mera vaidade ou falta de esclarecimento espiritual. Na verdade, é uma forma de trazer a importância do cuidado e amor-próprio. Estes espíritos, e a grande maioria dos que se manifestam utilizando-se de formas de agir ou falar específicos, assim o fazem não por necessidade própria, mas sim para atender a necessidade do consulente, que para, por exemplo, entender que precisa trabalhar seus valores, tem de “visualizar” uma mulher bela, decidida e vaidosa.

São mulheres independentes, firmes, alegres, esbanjando sensualidade, e que afrontam qualquer posição machista que encontram.

As Pombagiras representam as bruxas queimadas na fogueira, o sagrado feminino rejeitado e demonizado pelo clero, a fé nas coisas ditas “profanas”. A inquisição, a escravidão e a perseguição não conseguiram exterminar as bruxas, e cá estamos nós filhos delas reerguendo um culto para louvar estas mulheres mortas, as bruxas que eles queimaram e escravizaram hoje são como Deusas aqui, são nossas Pombagiras que ressurgiram das cinzas das fogueiras.

 

 

Gostou deste conteúdo?
Deixe seu comentário e compartilhe com seus contatos.

Facebook
Twitter
WhatsApp

Confira também os últimos Podcasts Café com a Vó

Vol5
Vol4
Vol 3
vol2
Vol 1