No dia em que celebramos o Dia Mundial de Deus, refletimos sobre a presença divina que habita, guia e orienta os mais diversos caminhos espirituais da humanidade. Em cada religião, Deus ou o Sagrado se manifesta de formas distintas, mas todos convergem na busca pelo amor, pela luz, pela conexão e pelo equilíbrio entre o céu e a terra, entre o espiritual e o material.
Cristianismo: Deus, Pai de Amor e Misericórdia
No cristianismo, Deus é o Criador, Pai, Filho e Espírito Santo — uno e trino. Um Deus de amor, justiça e misericórdia, que se manifesta na vida, na morte e na ressurreição de Jesus Cristo, sendo caminho, verdade e vida.
“Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele.”— (1 João 4:16)
Islamismo: Allah, Único e Absoluto
No islamismo, Deus é Allah: O Único, o Misericordioso, o Compassivo, Aquele que tudo vê, tudo sabe e tudo provê. Não há divindades além Dele, e o muçulmano se submete à sua vontade em total entrega e reverência.
“Ele é Allah, o Único, o Eterno. Não gerou e não foi gerado, e ninguém é comparável a Ele.”— (Alcorão, Surata 112)
Xamanismo: O Grande Espírito e a Mãe Natureza
No xamanismo, Deus é o Grande Espírito. É a energia criadora que vive e se manifesta em tudo: nas águas, nos ventos, nas pedras, nos animais, nos ancestrais e na própria Terra, que é sagrada e viva.
“Tudo o que existe, vive e respira carrega o sopro do Grande Espírito. Somos todos parte do todo.” — Sabedoria Ancestral Lakota.
Umbanda: O Sagrado que habita no Todo
Na Umbanda, Deus é Olorum, a consciência suprema; a inteligência maior que rege o Universo. Ele se manifesta por meio dos Orixás, das forças da natureza e das linhas espirituais que trabalham na caridade, no amor e na evolução.
“Olorum é o princípio de tudo. É o sopro da vida que sustenta todos os seres.” — Pai Rubens Saraceni.
Budismo: A Iluminação e a Consciência Suprema
No Budismo, não há um Deus criador nos moldes teístas, mas há uma compreensão profunda da existência como interdependente, regida por leis universais. O divino é a própria natureza búdica, presente em todos os seres.
“Busque a sua própria salvação. Não dependa de ninguém além de si mesmo.” — Sidarta Gautama (Buda).
Candomblé: Olodumarê e os Orixás: Energia da Criação
No Candomblé, Deus é Olodumarê, ser supremo, inalcançável, regente do Orun (mundo espiritual) e do Aiyê (mundo material). Sua vontade se manifesta por meio dos Orixás, que são forças da natureza e aspectos do divino.
“Olodumarê é aquele que dá a todos o que é de direito, que observa, que cuida e que abençoa.” — Pierre Fatumbi Verger.
Ordem Templária: Deus, Fonte Suprema da Luz e da Verdade
Para a Ordem Templária, Deus é o Arquitetor do Universo, princípio ordenador, luz divina que guia o cavaleiro na busca pela verdade, pela justiça e pela proteção dos mais fracos. O Deus Templário une fé e razão, espiritualidade e serviço.
“Non nobis Domine, non nobis, sed nomini tuo da gloriam.” — (“Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao Teu nome dá glória.”) — Lema dos Templários (Salmos 115:1).
Firmina do Rosário: Uma Casa Firme como a Rocha
Dentro desta multiplicidade de caminhos, o Terreiro de Umbanda Firmina do Rosário se ergue com um fundamento sólido: a busca pelo Religare, a reconexão entre o humano e o divino, entre o sagrado e a vida. Somos, com humildade e fé, “uma casa de oração, firme como a rocha”, onde cada atendimento, cada vela acesa e cada ponto cantado é um chamado ao amor, à cura, ao equilíbrio e à caridade, sob as bênçãos de Olorum e das forças da espiritualidade maior.
Pesquisa realizada pelo professor de ensino religioso Olavo Machado.