O Dia Mundial dos Oceanos celebrado também no dia 08 de junho , tem como principal objetivo relembrar a importância dos oceanos para o equilíbrio da vida no planeta Terra. E, para isso, são realizadas várias atividades de conscientização civil sobre os perigos enfrentados atualmente pelos oceanos.
Os oceanos constituem dois terços da superfície terrestre e são o principal regulador térmico do planeta. Hoje, o grande desafio é minimizar o impacto que as atividades humanas estão provocando nos oceanos.
Anualmente, o Dia Mundial dos Oceanos apresenta um tema diferente. Em 2025 o tema é Pesca Sustentável Significa Mais… Ressaltando a importância de práticas de pesca sustentáveis para garantir a saúde e a abundância dos recursos marinhos para as gerações futuras.
Pesca sustentável significa mais peixes; biodiversidade marinha significa mais cor; frutos do mar sustentáveis significam mais escolhas.
É importante conscientizar governos, populações e demais entidades para a urgência de criar medidas que protejam os oceanos.
Os Oceanos como a Calunga Grande: uma Ponte entre o Mundo Físico e Espiritual.
O termo “calunga” é de origem bantu e tradicionalmente faz referência à morada dos mortos, ou mais comumente, ao cemitério. Assim, sempre que nos referimos à calunga, estamos nos referindo ao campo santo, o cemitério, o local onde os despojos carnais são depositados. No entanto, essa palavra assumiu uma outra dimensão.
Ao serem capturados ou vendo seus irmãos sendo feitos cativos e colocados em navios negreiros, os africanos passaram a ver o mar como um grande cemitério, já que a viagem rumo à escravidão representava uma espécie de morte em vida. Era como se o mar levasse embora tudo que lhes era precioso: os costumes, a crença, a dignidade, o convívio com os entes queridos e, principalmente, a liberdade. Dessa forma, o mar passou a ser encarado como uma grande calunga, ou seja, como um grande cemitério.
Não esqueçamos que a morte não representa o fim, e sim uma transformação. Não esqueçamos também de Omolu, o orixá da cura, mas também da morte (no sentido de transformação, não de fim), e Iemanjá, a rainha do mar, o princípio e a origem da vida, da maternidade, da concepção.
Ao mesmo tempo em que o mar representava a morte aos cativos, representava também um renascimento no Brasil. Não um renascimento agradável, mas era um renascimento no sentido de levar a sua cultura, as suas crenças, os seus orixás a terras tão distantes. Era como se a o pai Omolu determinasse o fim em terras africanas e Iemanjá um recomeço em novas terras. Aqueles negros cativos, bravos heróis, deram a sua liberdade e a sua vida para nos agraciar com a crença e o conhecimento sobre os divinos orixás. Graças a eles e à sua heróica resistência, hoje temos a oportunidade de cultuar essas entidades, sem a viseira das religiões tradicionais.
Assim sendo, o mar, chamado de calunga grande, que representou em tempos idos um gigantesco cemitério, é para nós um reino sagrado. Ao compreender e respeitar esse conceito, damos um passo além no caminho do autoconhecimento, da espiritualidade e da conexão com nossos guias e Orixás. Calunga Grande é vida, é morte, é recomeço. E, acima de tudo, é amor e proteção.
Ao colocar os pés na água do mar, não esqueça de saudar os divinos orixás, a vida e aos nossos ancestrais cativos, a quem devemos tanto.