Essa data foi estabelecida para homenagear pessoas refugiadas de todo o mundo. Hoje, 20 de junho, é um lembrete à sociedade sobre o respeito da coragem e força dessas pessoas que foram forçadas a abandonar suas vidas por razões de guerra, crise humanitária e perseguições.
Mas para além da homenagem, essa data tem um importante papel de mobilização política, para lembrar aos governantes do mundo que é necessário pensar em políticas que abracem esse povo e os apoiem na busca por dignidade e oportunidade. Mais do que sobreviver, é necessário oferecer apoio para que essas pessoas possam prosperar!
De acordo com a ACNUR (Agência da ONU para Refugiados): “Até o final de 2024, 123,2 milhões de pessoas em todo o mundo foram forçadas a se deslocar devido a perseguições, conflitos, violência, violações de direitos humanos e eventos que perturbaram seriamente a ordem pública. ” – isso representa 1 em cada 67 pessoas em todo o mundo e esse número é 2x maior em comparação com a última décadas.
Holocausto cigano: uma história pouco contada
Sabemos que o povo cigano é conhecido por suas migrações voluntárias mundo afora. Porém, pouco se comenta de quantas vezes essas migrações foram para buscar um novo refúgio para fugir do preconceito, perseguição e expulsão sistemática.
Vale ressaltar que o povo romani, também foram subjugados e as mesmas leis raciais que os judeus, passando por restrições ao casamento e até mesmo a esterilização compulsória. E um dos nomes que se destacaram nessa perseguição foi do Robert Ritter, diretor do Centro de Pesquisa de Higiene Racial. Ele e sua equipe se fingiam de amigáveis com o objetivo de reter informação e montar árvores genealógicas que depois seriam utilizadas para deportar e assassinar pessoas romanis. Somente entre 1933 e 1945 cerca de 500 mil ciganos foram assassinados por políticas raciais da Alemanha nazista e seus aliados.
Ainda assim, foi apenas em janeiro de 2024 No Dia da Memória do Holocausto da ONU, que pela primeira vez o povo romani teve uma homenagem e referência ao que aconteceu. Petra Gelbart cantou “Ausvicate hi kher baro“, um lamento romani que se tornou um dos testemunhos cantados que definem o Holocausto cigano.
Os ciganos foram devorados pelo silêncio da história. Sobreviveram ao fogo da intolerância, e ainda hoje lutam para existir com dignidade.
Um povo livre
Na umbanda o povo cigano representam a força de ancestrais daqueles que viveram sob perseguições, estigmas e deslocamentos (voluntários e involuntários), mas que mantiveram sua fé, cultura e sabedoria viva. Um povo que mesmo com tanto lamento ainda se apresenta como um povo livre!
O povo cigano traz a energia da libertação, do desapego e da fluidez com a vida. Eles ensinam a não se prender ao que aprisiona a alma. A energia cigana cura através do encantamento, da arte e do brilho da alma com suas músicas e danças que trazem tanta alegria por onde passam. E justamente por seu histórico que as entidades ciganas também carregam a missão de proteger os que são marginalizados e fortalecer a autoestima de quem se sente perdido ou deslocado.
Os ciganos da Umbanda nos lembram que, mesmo em terras estranhas, quem carrega axé nunca perde o caminho.