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DIA MUNDIAL DO CHOCOLATE

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DIA MUNDIAL DO CHOCOLATE

O 7 de julho, conhecido como Dia Mundial do Chocolate, é uma data que celebra um dos alimentos mais amados do mundo. Mais do que uma iguaria doce, o chocolate possui uma longa trajetória que atravessa civilizações, rituais, economia memórias afetivas.

O chocolate tem sua origem no cacau, fruto da árvore Theobroma cacao, cujo nome, em grego, significa literalmente “alimento dos deuses”. Essa fruta tem origem nas florestas tropicais da Mesoamérica, região que compreende partes do México, Guatemala, Belize, El Salvador e Honduras.

Segundo estudos arqueobotânicos, seu uso remonta a pelo menos 1500 a.C., quando o povo Olmeca, considerado a civilização-mãe da Mesoamérica, já utilizava o cacau em rituais sagrados.Posteriormente, maias e astecas aprofundaram o simbolismo do cacau:

– Entre os maias, a bebida feita com sementes de cacau era consumida por sacerdotes e reis durante rituais, funerais e cerimônias de fertilidade.
– Entre os astecas, o cacau era moeda corrente e também uma bebida reservada a guerreiros e elites, oferecida ao deus Quetzalcóatl, divindade do vento, sabedoria e fertilidade. O nome “chocolatl” vem do náuatle (língua asteca): xocolatl, que significa “água amarga”.

A palavra “caboclo”, no contexto da Umbanda, refere-se a espíritos ancestrais ligados à terra, à sabedoria indígena, à força da floresta e da cura. Embora no senso popular os caboclos sejam comumente associados aos povos originários brasileiros, a ancestralidade indígena da Umbanda não se limita às etnias tupis-guaranis ou aos troncos tupi e jê, mas pode ser entendida de forma arquetípica e continental.

Se os povos originários da Mesoamérica já usavam o cacau para se conectar com o divino, então suas linhagens espirituais ainda ecoam na egrégora vibracional da Umbanda. Um espírito que em vida foi sacerdote maia, curandeiro asteca, ou guerreiro tolteca (como nosso querido caboclo Raio de Sol), pode sim, após sua jornada no plano físico, integrar-se à falange de Caboclos, especialmente àquelas ligadas à linha do conhecimento, da terra, do alimento ou da cura.

FRUTO, ALIMENTO E OFERTA

Originado nas florestas tropicais úmidas, o cacau é uma planta que nasce na sombra, mas gera luz. Seu fruto nasce diretamente no tronco da árvore, como se brotasse do coração da terra, e suas sementes são protegidas por uma polpa adocicada e úmida. Isso o coloca simbolicamente entre o chakra básico e o cardíaco, ou seja, entre as forças da sobrevivência, do prazer e do afeto.

Na Umbanda, o alimento é mais do que sustento, é veículo de axé, memória e energia vital. O cacau, por sua natureza quente, terrosa, adstringente e doce, vibra com múltiplos orixás e linhas espirituais. Ele pode ser associado a Oxóssi, por ser fruto da floresta e alimento dos povos da mata. A Oxum, por conter doçura e despertar prazer e afetividade. A Omolu, como força de vida e transformação.

O cacau, originado em solo sagrado, ecoa nas mãos de quem prepara o alimento com amor. E os Caboclos, espíritos ancestrais das Américas, carregam em si saberes de muitas terras.

 

 

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