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Nossa Senhora do Carmo: entre o Monte, o rio e o terreiro.

Nossa Senhora do Carmo: entre o Monte, o rio e o terreiro.

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Nossa Senhora do Carmo: entre o Monte, o rio e o terreiro.

“Todas elas são Maria, você é Maria, toda mulher é Maria. Vejo o mundo como um grande quebra cabeças, então sempre busco conexões que possam fazer sentido.”

Essa foi a resposta do pai Olavo quando pedi um direcionamento para falar de Nossa Senhora do Carmo, sem ser repetitiva. E por que não? Por que não misturar todos os textos que já escrevi?

O Carmo existe para Maria, e Maria é tudo para o Carmelo.

Assim escreveu o Cardeal Piazza, e assim também creem milhares de devotos, que olham para a Virgem do Monte Carmelo como mãe, guia e refúgio.

No calendário, o 16 de julho é dia de Nossa Senhora do Carmo, aquela que veste o branco do céu, da pureza, da fé que acalma e conduz. O marrom da terra, da resistência e da raiz que sustenta. Foi ali, nas encostas do Monte Carmelo, que o profeta Elias buscou a presença divina, onde Nossa Senhora apareceu ao monge Simão Stock e lhe entregou o escapulário, símbolo de proteção e aliança com aqueles que vivem a fé com entrega. E quando a olhamos com os olhos da fé, entendemos que o Carmo é mais que um lugar no mapa, é um chamado à espiritualidade, que como disse esses tempos… Essa espiritualidade que começa no pó da terra e sobe em direção aos céus da ancestralidade.

Quando Maria chega ao Brasil, ela não chega sozinha. Quando seu manto cruza os mares e encontra o corpo mestiço da fé brasileira, o escapulário se faz vela e ponto riscado, pois seja no altar ou no congá iluminado, o nosso pedido é sempre o mesmo: “Me acolha! Me ouça! Me salve!”

Aqui, Maria veste tantos nomes, dança tantos ritmos, caminha por tantos caminhos. Aqui nessa Terra, Nossa Senhora do Carmo se funde as forças de Oxum e de Iansã, revelando o que a fé popular sempre soube: que o sagrado é múltiplo e o amor maternal não cabe em uma só coroa.

Todas – Maria, Oxum, Iansã – compartilham arquétipos de proteção, acolhimento, sabedoria e coragem. São mães espirituais, zeladoras da alma, guerreiras do coração. É aqui que Maria do Carmo encontra as outras Marias: seja Aparecida, das Graças, da Conceição, do Perpétuo Socorro, da Piedade, da Paz ou dos Navegantes.

Marias da Bíblia, do terreiro, da Caatinga, da encruzilhada, do hospital, da cidade e a da sala de aula.

Marias com escapulário e com espada na mão. As Marias do silêncio e da revolução. As que choram escondidas e as que levantam outras mulheres. Marias que rezam, que plantam, que lutam, que saram. Marias que florescem como Mandacaru, mesmo quando dizem que não é possível. São as que enfrentam o machismo, a miséria e a invisibilidade. São as parteiras, lavadeiras, rezadeiras, rendeiras… São as do rosário na mão e de guia no pescoço. São as que estão nos altares, mas também nos becos. As que cuidam dos filhos, da fé e da tradição. São as que lutam como Iansã, curam como Oxum, e oram como Maria.

São todas! Somos todas!

E é por isso que, neste dia, ao celebrarmos Nossa Senhora do Carmo, também celebramos a força de ser mulher em solo brasileiro, celebrando o sincretismo que une e fortalece.

Que a Virgem do Carmo nos cubra com seu manto sagrado!
Que Oxum nos banhe com suas aguas de amor e prosperidade!
Que os ventos de Iansã transforme e movimente nossas vidas!

E que em cada Maria, no dia de hoje, seja lembrado:

Toda mulher é sagrada.
Toda mulher é Carmo.
Toda mulher é Maria.

 

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