Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza
Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, é uma celebração internacional comemorada todos os anos em 17 de outubro em todo o mundo. A primeira comemoração do evento ocorreu em Paris, França, em 1987, quando 100 000 pessoas se reuniram na Praça dos Direitos Humanos e Liberdades em Trocadéro para homenagear as vítimas da pobreza, fome, violência e medo na inauguração de uma pedra comemorativa do Padre Joseph Wresinski, fundador do Movimento Internacional ATD Quarto Mundo. Em 1992, quatro anos após a morte de Wresinski, a Organização das Nações Unidas designou oficialmente 17 de outubro como o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.
A pobreza não é apenas a falta de rendimentos. É também a ausência de acesso a saúde, educação, habitação, alimentação adequada e oportunidades de participação social. É uma realidade que atinge não só indivíduos, mas também famílias e comunidades inteiras, comprometendo o desenvolvimento e o futuro coletivo.
De acordo com dados da ONU (Organização das Nações Unidas), a fome diminuiu, mas ainda atinge 673 milhões de pessoas em todo o planeta.
Em 2007, um grupo de amigos e aliados reuniu-se na Comunidade do Caxambu, Petrópolis, para formar uma Associação “Amigos ATD Quarto Mundo”. Além de apoiar o Movimento no país, desenvolveu diversas atividades, entre as quais uma biblioteca de rua com muitos livros, contos, brincadeiras, música e arte. Desde junho de 2012, uma equipe de voluntários brasileiros dedicou suas forças e ações às pessoas excluídas, para mudar, não apenas a situação das suas famílias, mas do povo de um modo geral.
Em 2025 o Brasil celebra duas conquistas históricas: a saída do mapa da fome e a redução da insegurança alimentar grave. Essas conquistas são o resultado de decisões governamentais voltadas para priorizar o estímulo à geração de emprego e renda, apoio à agricultura alimentar fortalecimento da alimentação escolar e o acesso a alimentação saudável.
As religiões e o combate as desigualdades socioeconômicas.
No Brasil vemos o reconhecimento do papel das religiões nas movimentações sociais por meio da Teologia da Libertação, que surgiu em berço católico, cujos fundamentos visam o amparo aos pobres por meio de assistência, de um lado, mas também a transformação social através de uma visão crítica sobre o que causa a pobreza. Ainda se podem observar, especialmente na área assistencial, ações de denominações Protestantes, Espíritas e Umbandistas. Refletir sobre a questão da fome e da pobreza mundial, não pode ser vista como um fato isolado, pois a fome é consequência das desigualdades, do egoísmo e da falta de amor nas estruturas sociais e econômicas. Inúmeros exemplos encontramos de almas sensíveis que investiram, irmã Dulce, e ainda investem, Padre Júlio Lancellotti, tempo e dedicação ao combate à fome.
A Fome e o Espiritismo.
No item 930, de ‘O Livro dos Espíritos’, somos advertidos de que “Numa sociedade organizada segundo a lei do Cristo, ninguém deve morrer de fome.” Diante de tal afirmação, como podemos nos definir como “Pátria do Evangelho”, analisando os altos índices de brasileiros que estão abaixo da linha da pobreza? De que maneira Jesus, o mestre incomparável, modelo e guia da Humanidade, confirma uma bem-aventurança a quem tem fome e sede de justiça em vez de indicar os caminhos para a total extinção deste flagelo devastador?
Somente a compreensão da reencarnação aliada ao conceito de evolução e livre-arbítrio é capaz de explicar o encadeamento de atitudes que nos entristecem o coração, tal como a convivência com a fome num planeta que produz mais alimento do que temos capacidade de ingerir, onde a obesidade é uma doença que avassala muitas nações, e onde o desprezo pelo semelhante nos faz indiferentes, muitas vezes, diante da realidade nua e crua.
A força social da Umbanda
A Umbanda, como religião, tem um papel importante na transformação social, promovendo a inclusão e a igualdade. Ao incorporar espíritos de diferentes origens, incluindo indígenas e negros, a Umbanda desafia o preconceito e a exclusão social.
A umbanda reinterpreta os valores, as visões históricas e os acontecimentos nacionais, dialogando com a realidade. As classes que pertence os seus espíritos refletem também grupos que geralmente sofrem ou sofreram exclusão social, uma marca de resistência e preservação de um modo de dialogar com a realidade social de forma a articular, pelos rituais, a inclusão social.
E mais do que isso: demonstravam e ainda demonstram dentro dos Terreiros que qualquer forma de preconceito racial ou discriminação deve cair por terra, tendo em mente a construção de uma sociedade mais fraterna e mais justa. As linhas de trabalho da Umbanda fazem seu papel nesse sentido colocando seus Espíritos orientadores, sem sombra de dúvidas grandes Mestres, vestindo a roupagem dos excluídos.
A teologia de Umbanda é inclusiva não rejeitando a nenhuma sorte de Espíritos, sejam encarnados ou desencarnados, tomando-se apenas os cuidados necessários para o bem-estar de todos os envolvidos na matéria e fora dela.
É importante olharmos para a nossa sociedade e pensar como podemos e devemos agir para torná-la melhor: esse é o nosso papel social que vai muito além das paredes do nosso Terreiro.
O dia 17 de outubro é emblemático e nos permite refletir sobre nosso consumo, sobre nossas práticas, sobre as políticas (ou ausências delas) e o quanto ainda precisamos avançar nesse tema. A reflexão que deixamos é que cada um de nós podemos e devemos fazer a nossa parte, promovendo e garantindo direitos no hoje. A fome não espera!
”Citando palavras do Caboclo das Sete Encruzilhadas: “Aos menos instruídos ensinaremos, com os mais instruídos aprenderemos – e a ninguém daremos as costas.”