A mãe Terra é a mãe de todas as lutas.
Essa frase, dita por Sônia Guajajara, é a que melhor ecoa e representa o símbolo da resistência dos povos indígenas: a Terra. Os povos indígenas do Brasil lutam diariamente por permanência em seus territórios e pelo direito de existir.
Para marcar essa contínua e árdua história de luta, o dia 7 de fevereiro é um marco que reverencia as lutas e resistência dos povos originários que, desde a invasão do Brasil, conhecida por muitos como o descobrimento, passam por um processo de perseguição e negação de direitos, e é também uma homenagem e reconhecimento do papel histórico da liderança indígena, Sepé Tiaraju, que viveu no Sul do Brasil, onde lutou contra portugueses e espanhóis, para seu povo Guarani não ser expulso do seu próprio território. Ele foi assassinado em 7 de fevereiro de 1756, após proferir a frase que ficou na História como uma marca da sua luta e de todos os povos indígenas: Essa Terra tem dono!
Desde a invasão portuguesa e europeia ao território que é hoje o Brasil, os povos indígenas resistem. Lutam por sua vida, sua cultura, sua terra, sua existência. Resistir, para os povos indígenas, é existir sem pedir, é manter viva a relação sagrada com a terra, com os espíritos e com os ancestrais.
Responsáveis pela formação da identidade brasileira, os povos indígenas contribuem com relevantes elementos culturais, étnicos e turísticos para o nosso país. Seus conhecimentos tradicionais contribuem para o cuidado com a natureza e para a construção de uma sociedade mais justa e sustentável.
Celebrar o Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas é também um compromisso de respeitar a diversidade cultural, promover a justiça social e apoiar a luta contínua desses povos por dignidade, respeito e direitos garantidos.
Essa resistência tem também na Umbanda , religião nascida do encontro de dores, saberes e esperanças. Para se firmar, a Umbanda precisou enfrentar o preconceito, o silêncio imposto e a negação de sua fé, para permanecer de pé, sustentada pela ancestralidade e pelo amor ao sagrado que se manifesta na caridade.
Os Caboclos espíritos de muita luz representam a energia e a sabedoria dos povos indígenas. São espíritos que assumem a forma de índios prestando uma homenagem à esse povo que foi massacrado pelos colonizadores. São exímios caçadores e têm profundo conhecimento das ervas e seus princípios ativos, e muitas vezes, suas receitas produzem curas inesperadas.
Lembrar o 7 de fevereiro na Umbanda é reconhecer que resistir também é um ato espiritual, e que a fé, quando enraizada na ancestralidade, não se apaga. Ela se transforma, se reinventa e continua caminhando, firme como a terra, viva como o axé.
“Eles arrancaram nossas folhas, quebraram nossos galhos, derrubaram nossos troncos. Mas, esqueceram do fundamental: arrancar nossas raízes!” Maninha Xukuru