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O Chamado da Mediunidade

O Chamado da Mediunidade

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Fundamentos na Umbanda e no Espiritismo

A mediunidade, segundo os ensinamentos do Espiritismo e da Umbanda, é uma faculdade orgânica do ser humano que possibilita a interação entre o plano material e o plano espiritual. Allan Kardec a define como “a faculdade que algumas pessoas possuem de servir de intermediárias entre os Espíritos e os homens” (O Livro dos Médiuns, cap. XIV).

Na Umbanda, essa faculdade é compreendida como um instrumento de trabalho espiritual, concedido ao espírito reencarnado para fins de caridade, evolução moral e cumprimento de compromissos assumidos antes da encarnação.

O chamado da mediunidade e os primeiros sinais

> “A mediunidade se manifesta de muitas maneiras e em graus muito diversos, conforme a organização física e moral do indivíduo.”
> Allan KardecO Livro dos Médiuns, cap. XIV

> “A mediunidade é um instrumento concedido ao espírito para o exercício da caridade e do amor ao próximo.”
> Rubens SaraceniO Código de Umbanda

O chamado mediúnico, em geral, não ocorre de forma abrupta ou aleatória. Ele se manifesta gradualmente, à medida que o espírito se aproxima do momento oportuno para o despertar de sua sensibilidade espiritual.

Entre os sinais mais comumente relatados, tanto na literatura espírita quanto na vivência umbandista, destacam-se:

* Sensibilidade emocional acentuada, sem causa aparente
* Alterações frequentes de humor
* Cansaço excessivo ou sensação de esgotamento energético
* Dores de cabeça recorrentes, especialmente sem diagnóstico clínico
* Distúrbios do sono, sonhos vívidos ou sensação de presença espiritual
* Intuições intensas ou percepções espirituais espontâneas
* Sensação de deslocamento, tristeza profunda ou vazio existencial

Allan Kardec esclarece que muitos desses sinais surgem quando a mediunidade se encontra latente e ainda não educada, provocando desequilíbrios naturais em razão da falta de direcionamento (O Livro dos Médiuns, cap. XVII).

Na Umbanda, entende-se que o médium em processo de despertar atravessa um ajuste vibratório, no qual seu campo energético começa a se alinhar ao trabalho junto aos seus guias espirituais.

A necessidade de educar e trabalhar a mediunidade

Tanto o Espiritismo quanto a Umbanda são categóricos ao afirmar que a mediunidade não é um dom destinado ao orgulho pessoal, tampouco um fardo punitivo, mas uma responsabilidade espiritual.

Kardec ensina que:

> “A mediunidade é uma faculdade que se desenvolve pelo exercício e deve ser disciplinada pelo estudo e pela moral.”
> (O Livro dos Médiuns, Introdução)

Rubens Saraceni complementa:

> “Na Umbanda, não existe mediunidade sem disciplina, nem desenvolvimento sem compromisso.”
> (Doutrina e Ritual da Umbanda)

Na Umbanda, o desenvolvimento mediúnico ocorre no terreiro, sob a orientação dos dirigentes e dos guias espirituais, fundamentado na disciplina, na caridade e nos rituais próprios da religião. Trabalhar a mediunidade implica:

* Educar a sensibilidade espiritual
* Harmonizar o campo emocional e energético
* Colocar a faculdade a serviço do bem
* Cumprir compromissos espirituais assumidos

Sem esse trabalho consciente, a mediunidade tende a manifestar-se de forma desordenada, resultando em sofrimento para o médium.

Compromissos assumidos antes da encarnação

Segundo a Doutrina Espírita, antes de reencarnar, o espírito participa de planejamentos reencarnatórios, nos quais aceita provas, expiações e tarefas específicas. Entre essas tarefas pode estar o compromisso mediúnico.

Em O Livro dos Espíritos (questões 258 a 273), Kardec explica que o espírito escolhe ou aceita experiências que contribuam para sua evolução. Nesses casos, a mediunidade configura-se como um instrumento de aprendizado, resgate e serviço.

Na Umbanda, acredita-se que muitos médiuns trazem compromissos firmados com seus guias, orixás e falanges espirituais, assumindo a responsabilidade de servir como instrumentos de caridade, orientação e auxílio espiritual na Terra.

Consequências de não trabalhar a mediunidade

A negligência consciente da mediunidade não é compreendida como “castigo divino”, mas como um desequilíbrio natural, decorrente da resistência ao próprio planejamento espiritual.

Entre as consequências mais frequentemente citadas por ambas as doutrinas, encontram-se:

* Intensificação de desequilíbrios emocionais e físicos
* Sensação persistente de angústia ou desorientação
* Problemas psicossomáticos recorrentes
* Dificuldade em manter estabilidade espiritual e energética
* Maior vulnerabilidade a influências espirituais desequilibradas

Kardec alerta:

> “A mediunidade mal dirigida ou não exercida pode tornar-se fonte de sofrimento.”
> (O Livro dos Médiuns, cap. XXIII)

A visão umbandista sobre o chamado ignorado

Na Umbanda, ensina-se que “guia não cobra, mas ajusta”. O chamado ignorado tende a manifestar-se por meio de situações que conduzem o médium, mais cedo ou mais tarde, ao caminho do autoconhecimento e do trabalho espiritual.

> “Quando o médium foge de sua missão, a espiritualidade maior permite ajustes naturais para reconduzi-lo ao caminho.”
> Rubens SaraceniO Código de Umbanda

Conclusão

O chamado da mediunidade é, acima de tudo, um convite ao crescimento moral, espiritual e humano. Trabalhá-la não significa abdicar da vida material, mas integrar espiritualidade e responsabilidade, sustentadas pela humildade, pelo estudo e pela caridade.

Umbanda e Espiritismo convergem ao ensinar que a mediunidade, quando bem orientada, é fonte de equilíbrio, cura interior e evolução. Quando ignorada, pode gerar conflitos íntimos até que o espírito reconheça e aceite sua própria missão.

> “O médium nasce com compromissos espirituais assumidos antes da reencarnação, ligados ao trabalho no bem.”
> Diamantino F. TrindadeUmbanda: Doutrina e Ritual

 

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