No dia 24 de fevereiro de 1932, por meio do Código Eleitoral instituído por Getúlio Vargas, o voto feminino foi reconhecido no Brasil. Esse dia não é apenas um marco legal, mas de forma indireta, a mulher conquista também um lugar no mundo.
Junto com essa participação política, as mulheres conquistaram a legitimação da sua voz, viraram agentes de decisões coletivas e tiveram o reconhecimento social da sua racionalidade e discernimento, que por séculos foram negligenciados. Com o voto feminino, a mulher deixa de ser representada e passa a se representar, abrindo caminhos na sociedade para estudar, trabalhar e ser livre. Ficou instituido então que: se podemos votar, podemos opinar. Se podemos opinar, podemos debater. Se podemos debater, podemos liderar. E foi através dessa conquista que passamos a escolher, decidir e interferir no coletivo.
Historicamente, esse direito sempre foi negado, por muito tempo os caminhos femininos foram traçados e estruturados pela rigidez do patriarcado. Se olharmos essa data de uma visão espiritual, quando uma mulher passa a poder escolher, é como se tivéssemos ativado um arquétipo ancestral de soberania feminina, uma vez que na Umbanda temos a compreensão de que o feminino não é passivo, e sim uma força geradora. Cada mulher que vota carrega consigo não apenas sua opinião, mas a força das que vieram antes: as que não puderam estudar, escolher, falar, existir fora das margens. O voto se tornou um ato de reparação, de honra e de continuidade.
Celebrar essa conquista é lembrar que direitos não foram dados, foram arrancados. E que cada escolha feita hoje é também uma forma de manter viva a luta, coragem e consciência das que vieram antes de nós. Isso altera sonhos e referências e no fundo, o voto feminino não é só uma conquista política, mas sim uma mudança na narrativa sobre o que significa ser mulher.
Quem escolhe, cria caminho e ao conquistar esse direito, a maior conquista não foi apenas o direito de apertar um botão, mas sim, rompermos com o silêncio que foi imposto à força.
E é através dessa conquista que ouvimos milhares de vozes femininas que foram caladas por séculos, finalmente atravessando o tempo, num respiro sereno e aliviado, nos falando: “Que nunca mais nos convençam de que nossa voz é permissão, quando sempre foi potência.”