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O amor mais próximo ao divino

O amor mais próximo ao divino

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O amor mais próximo ao divino

No dia 29 de abril é comemorado o Dia Internacional do Cão-Guia, animal treinado para caminhar junto, com confiança, cuidado e guiando o caminho, trazendo a autonomia, dignidade e o direito de ir e vir.

E quando juntamos isso com um olhar espiritual, é aí que talvez more o maior ensinamento: o cachorro se revela mais do que um animal, ele se torna símbolo de lealdade.

Na Umbanda, o cachorro carrega a energia do guardião, aquele que protege, vigia, sustenta o campo, percebe e sente antes. Ele percebe a energia, percebe o que se aproxima, o que ameaça e o que precisa de cuidado. Não é à toa que sua presença, em muitos espaços sagrados, é entendida como sinal de proteção e equilíbrio.

E aqui o cão-guia se torna a expressão mais concreta de um guardião, com sua coleira firme e seu corpo atento, ele guia e protege e conduz sem retirar a autonomia de quem caminha ao seu lado.

Falar de cachorro pra mim é algo intrínseco. Falo que literalmente, desde o meu nascimento, eu não tive um único dia nessa vida sem um cachorro ao meu lado. Tive a alegria de ter pais que me permitiram ter diferentes cachorros, me deixavam deitar e rolar com eles, passar longas tardes brincando de tudo quanto é jeito com meus cachorros, tocando flauta pra eles, ensinando italiano… Ser criança com um quintal e um cachorro, é libertador. Que privilégio! Minha primeira melhor amiga foi minha fiel escudeira Laila, ganhei ela de presente aos 7 anos de idade e tive o presente divino de viver longos 16 anos ao seu lado. Do primeiro ao último dia de vida. Hoje compartilho a vida com outra coisinha, da qual diariamente com seus olhos brilhantes, me salva de coisas inimagináveis na vidinha dela.

E não por simples coincidência, porque nunca é, meu animal espiritual é o cachorro, por onde ando sempre tem um que aparece, com suas fuças geladas e seus olhos que dizem tanto sempre, sem precisar falar nada. Aprendi que tenho guias que trazem esse animal para o trabalho e que os vejo junto a mim quando ninguém mais os vê, como um sinal de proteção, alerta e cuidado.

E com tudo isso, consigo hoje dizer que entendi que quem carrega esse arquétipo como animal espiritual, traz um pouco dessas qualidades: lealdade, proteção e intuição como essência. São pessoas que permanecem, que amam com constância e constroem vínculos de presença e amizade. Possuem a facilidade em ajudar, orientar, cuidar, acolher e curar. Claro, que ainda há muito o que se aprender com tudo isso… mas já é um caminho.

Então, seja como cão-guia, cão de resgate, companheiro de vida ou guardião espiritual, o cachorro carrega esse arquétipo poderoso: o do amor. Ele não negocia afeto e nem fidelidade, independe das circunstâncias, ele não nos abandona no meio do caminho. Ele permanece, e pra mim, isso é o maior gesto de amor possível. Considerados “anjos de quatro patas” acredito que eles são enviados para nos ensinar o amor incondicional, o mais puro e leal, nos ensinam a amar sem exigir explicações, apenas estando presentes, e ouso dizer que, esse é o amor mais próximo ao divino que temos acesso.

Amor que protege.

Amor que guia.

Amor que cura.

Que mostra que ninguém precisa caminhar sozinho.

Amor que permanece.

Firme. Leal. Sempre ao nosso lado.

“Os animais vivem menos porque já nascem sabendo amar de um jeito que levamos uma vida inteira  (ou várias) para aprender.” (Frase modificada de Wilson Nakao)

 

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